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Ariano Suassuna por JorgeBispo
Hoje foi dia de aprendizado. Dia de dor de cabeça…
Um daqueles dias memoráveis que eu nunca mais vou esquecer…
Hoje fomos fotografar Ariano Suassuna. Um dos mais doces escritores que poderiam existir. Além dos retratos, passamos uma tarde com ele.
Ouvir uma pessoa tão inteligente, no alto de seus 81 anos falar sobre a vida, a arte, o amor e sobre perdão… É pra arrasar com a cabeça de qualquer um.
Estou morrendo de dor de cabeça, aquela dor que tenho quando absorvo informações demais em um mesmo momento… Mas vai passar, e o que vai sobrar dessa dor é lindo.
Aprendi muito hoje em uma conversa “boba” regada a suco de caju da fruta e um belo sotaque nordestino.
Não importa que eu não me lembre os detalhes do que se foi dito, sei que o resutado está aqui, na minha vida. Mas preciso mencionar um trecho de algo falado hoje, que por mais que eu não possa colocar aspas para citar (pois não serão as palavras exatas ditas por ele) mas o resumo da ópera precisa ser colocado aqui.
O jornalista pergunta a Ariano o que ele sente hoje pelos assassinos do pai. Se como ele sempre costumou dizer o perdão desses homens era um trabalho em progresso.
Essa foi a resposta:
- Até hoje tenho dificuldade de rezar o pai nosso (diz ariano quando começa a falar sobre o assassinato de seu pai), pois é muito difícil ter que dizer: “Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.” Não é a toa que Jesus nos recomendou isso… Porque não é fácil para nós, não é da natureza humana. Mas temos que nos esforçar. Hoje acredito num inferno, mas não acredito que o inferno seja pra sempre, porque acho que nenhum mal é para sempre… E hoje digo, sei que os assassinos de meu pai estão sofrendo no inferno desde mil novecentos e trinta e pouco…
* engasgo profundo de ariano*
(ele respira e bebe um suco – com os olhos cheios d’água)
… hoje digo que se dependesse de minha aprovação para que eles saíssem de lá, eles estariam fora já. Acho que que isso significa que eu os perdoei.
*silêncio na sala de estar de tantos quadros de Dalton Suassuna nas paredes*
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e isso… isso sim é pra vida toda.
texto do dia 6/outubro/2008





