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Tenho acordado super cedo (hoje acordei às 7) sozinha, sem despertador.

Tenho tido pesadelos… Sou uma pessoa que tem MUITO MEDO da violência… Sei que ninguém gosta, mas muita gente já está conformada, consegue conviver com isso. Eu não.

Cada coisa que acontece no Rio, tudo que vejo no noticiário me afeta, e muito. Acabo tendo pesadelos, dificuldade de dormir. Eu penso demais, eu sei, mas que que eu posso fazer? Tomar sonífero? Era o que me faltava.

A ‘nova onda’ agora são assaltos a apartamentos. E eu não sei como todos acham normal. Eu me sinto completamente invadida! E isso está acontecendo no Rio inteiro. Tenho tido medo de sair de casa de novo, pesadelos, eu to é com medo.

E aí voltam aqueles pensamentos que estavam tão distantes de mim e que eu estava tão feliz de não tê-los: Será que é aqui que eu quero viver mesmo? Tenho a chance de ir lá pra fora, dar um jeito na minha vida, morar onde eu quiser… Será que é aqui que eu vou ficar? Pq q eu tinha que ser tão apegada à família? Seria tão mais facil fugir se eu fosse mais egoísta…

Mas mesmo querendo ficar perto, agora, nesse exato momento, essa não é a vida que eu quero pra mim. De medo.

Alguém me dá uma bolha cor-de-rosa, por favor? =~

“O publicitário Lula Vieira, o Washington Olivetto dos cariocas, é meu amigo. Aos 61 anos, paulista da Lapa, fez sua carreira de muito sucesso no Rio. Já a meio caminho do primeiro turno, entrou de cabeça na campanha de Fernando Gabeira.
Pedi a ele no começo da semana que me contasse como foi por dentro esta campanha absolutamente fora dos padrões da política brasileira _ os bastidores, as dificuldades, as discussões internas, a luta para chegar ao segundo turno, a onda que se formou nas últimas semanas indicando que era possível ganhar.
Hoje, bem no dia da eleição, ele arrumou um tempinho para me escrever. Tentou o dia todo falar comigo, mas meu celular não estava funcionando. Só agora, quase 11 da noite, recebo este belo depoimento de Lula Vieira, que repasso aos leitores do Balaio. Nele ficamos sabendo como Gabeira perdeu, mas ganhou as eleições no Rio:
‘Escrevo ao meio dia de domingo, antes de encerrar a votação aqui no Rio de Janeiro, com as pesquisas de intenção de voto indicando empate técnico entre os dois candidatos a prefeito, Fernando Gabeira e Eduardo Paes.
Trabalhei para Gabeira desde quando ele tinha 4% das intenções de voto e era um candidato tão pequeno que nem mereceu ser entrevistado pelo RJTV, que restringia o supremo prestígio de ser ouvido pelos repórteres àqueles que tivessem algo acima de 5% das intenções de voto.
Invariavelmente Gabeira aparecia na condição de ‘outros’ quando os jornais e as emissoras de televisão falavam dos candidatos. O que mais ouvi neste mês de agosto foi que sem dúvida Gabeira era o melhor nome para a Prefeitura, mas que infelizmente não teria a menor chance.
Os eleitores mais conscientes tratavam de escolher ‘o menos pior’ entre os que poderiam ganhar, Jandira Fegali, Bispo Crivella e Eduardo Paes. Essa difícil e desanimadora escolha ficava entre Jandira e Paes, pois ‘Crivella nunca’, pelo menos na ótica – como eu já disse – dos mais conscientes. Ou dos mais bem informados, sei lá.
Uma revista semanal, acredito que a IstoÉ ou Época (Veja tenho certeza que não foi) chegou a apelidar Gabeira de ‘Candidato Carrossel’ por girar, girar, girar e não sair do lugar. Fui procurado pela mulher de Gabeira, Neila Figueiredo, e selamos o trabalho em conjunto no dia do velório de dona Ruth Cardoso, no aeroporto Santos Dumont, que permanecera fechado durante toda manhã.
Teria total liberdade, desde que não resolvesse criar um Gabeira de mentira. A restrição a qualquer tipo de maquilagem ia até mesmo à própria maquilagem. ‘As rugas são as marcas do tempo no rosto dele, devem ficar’. Não seria necessária a advertência. Mas fiquei contente por ouvi-la.
Acho que os marqueteiros são responsáveis pelo esvaziamento do conteúdo verdadeiro dos candidatos, embora não tenham culpa na falta de caráter e na compulsão pela mentira. Essas características o sujeito já traz de casa, ou de berço, como queiram.
Dias depois, na minha casa, traçamos o rumo da campanha: não atacar o adversário, ser absolutamente transparente, não sujar a cidade. A transparência deveria ir até mesmo no caixa da campanha: nada de Caixa 2, não receber dinheiro de companhia de ônibus nem de cooperativa de taxi, pagar e receber tudo ‘por dentro’ e colocar todas as movimentaçõs imediatamente na Internet.
Se você for até o site da campanha vai achar lá o ítem ‘Ebulição’. É a nossa empresa. Todos os pagamentos que recebemos (e pagamos os impostos) estão lá. Para os padrões brasileiros, o dinheiro da campanha era quase pobre.
Como vantagem tínhamos a melhor equipe que a ideologia pode comprar: Moacir Góis na direção do programa de televisão, João Paulo na edição, Moacir Padilha dirigindo o rádio, Carlinhos Chagas na redação, e por aí afora.
Gente que se dispôs a trabalhar por menos da metade do que poderia cobrar, mas que se sentia recompensada pela oportunidade de se engajar na campanha de um candidato digno, limpo, idealista, agradável.Coisa raríssima nestes dias que correm.
Uma noite, logo nos primeiros dias, o Campanelli da MCR apareceu com um jingle de estarrecedora simplicidade, mas com potencial de se tranformar num mantra: ‘O Rio é de Gabeira…Gabeira…Gabeira’ num ritmo classificado de ‘marchável’, meio hip hop, um chiclete de ouvido irresistível.
Fizemos um santinho, uma equipe se encarregou do site, nos concentramos nos programas de TVe rádio e entregamos a Deus, que com certeza deve ter pensado ‘Crivella nunca’. Tanto é verdade que Crivella, que vinha liderando as pesquisas, se envolveu com o escândalo de uma obra que se chamava ‘cimento social’ e serviu como pá de cal para suas pretenções, com perdão pelo trocadilho.
Teve até a participação de um militar alucinado que entregou uns garotos para serem chacinados por uma gangue do tráfego. Tudo respingou no Bispo e no seu discurso messiânico de ungido pelo céu e por Lula. Só no discurso dele, pois ambos não quiseram se comprometer .

Eduardo Paes veio como o grande síndico que se preparou durante dezessete anos para ser prefeito. Dizia conhecer cada pedra, cada buraco da cidade. Prometeu instalar 40 UPA’s (Unidades de Pronto Atendimento), uma espécie de Centro de Saúde feito rapidamente e outras coisinhas que transformariam o Rio de Janeiro numa Finlândia em apenas 4 anos.
Jandira, por ser médica, centrou seus esforços na saúde e Crivella era o amigo dos pobres. Jandira parecia ter acabado de acordar no meio de um plantão: nervosa, desgrenhada, vestido aparentemente amassado.
Entre os nanicos, o candidato do PT resolveu transgredir a mais sagrada das normas da televisão e passou o tempo todo falando de lado, para um ponto à esquerda do espectador. Bonitinho, bonzinho, arrumadinho, era o bom filho, o bom colega e o bom professor.
Todos sabem que realmente é um homem direito, mas ficou bonzinho demais, arrumadinho demais. Falou bastante, mas todo mundo se perguntava porque ele olhava para o lado. Chico Alencar é o Chico Alencar, veio de Chico Alencar e falou como Chico Alencar. Levou os votos de Chico Alencar. Meia dúzia.

Quer dizer, vieram dar apoio, além de Cézar Maia, Caetano Veloso, Fernanda Torres, Adriana Calcanhoto, Alceu Valença, Debora Colker, Oscar Niemayer, Gustavo Lins, Alcione, Wagner Moura, Martinália, Pedro Luiz, Marina Lima, João Bosco, Paula Toller, Frejat, Nelson Mota, Armínio Fraga, Aécio Neves e mais oito mil voluntários.
Logo no comecinho me lembro de uma passagem de Gabeira. Um político, dos mais conceituados, propôs a Gabeira começar a mostrar os podres da turma de Paes, um amplo arco de alianças que iam do famoso Piciani a Jorge Babul, passando por uma variadíssima fauna de pessoas sobre as quais não resta a menor dúvida.
Gabeira respondeu: ‘eu prometi não atacar adversários’. O interlocutor não deixou por menos: ‘então você vai perder’. Gabeira respondeu firme: ‘então eu vou perder’. Noutra ocasião, um empresário, que já foi meu cliente, liga oferecendo dinheiro para a campanha. Gabeira instrui o financeiro: ‘você já sabe, quando empatar com as despesas, pare de receber qualquer dinheiro’.
Nunca antes na história deste país um político se dispôs a receber somente o dinheiro necessário para a campanha. Fizeram de tudo, de tudo mesmo, até a suprema burrice: mandar imprimir na Gráfica da Ediouro, de quem sou Diretor de Marketing, um folheto contra Gabeira.
Ninguém acreditou nem vai acreditar, mas tal como Lula, eu não soube de nada, a não ser quando o TRE confiscou o material, que por sinal estava dentro da Lei, com nota fiscal e tudo. Paes ficou repetindo o bordão: ‘Gabeira é apoiado pelo César Maia, Gabeira é apoiado pelo César Maia, Gabeira é apoiado pelo César Maia’.

Os demais se confundiam com os candidatos a vereador. Um deles tinha um belo slogan: ‘quem pica cartão não vota em patrão’. Em conjunto eles iam implantar o socialismo, destruir a Rede Globo e conduzir os povos à libertação, à verdadeira democracia e à divisão justa de renda.
Chega o dia da eleição e, para estupor geral, Gabeira – o candidato Carrossel, o sem chance, o nanico do bem, tira um magnífico segundo lugar e vai para o segundo turno, juntamente com Eduardo Paes, candidato do governador e do presidente.
O espanto maior, no entanto, foi dos institutos de pesquisas que até o dia anterior davam como certa presença de Crivella como adversário de Paes. Neste mesmo dia, Gabeira virou maconheiro, viado, defensor do aborto e da prostituição, nefelibata e tudo mais que é possível se falar contra um político brasileiro.
Só não poderia ser demagogo, mentiroso e ladrão porque no caso do Gabeira é impossível se falar isso dele. Nas primeiras semanas todos os derrotados se aliaram ao Paes, que passou a ser candidato da máquina estadual, nacional e universal (do Reino de Deus).
Lula falou de Paes, Cabral falou de Paes, Crivella falou de Paes, Jandira falou de Paes. Até Molon do PT e Vladimir Palmeira se aliaram a Eduardo Paes. O solitário apoio a Gabeira veio de César Maia, o único prefeito do mundo que surtou e virou blogueiro em pleno mandato.

O engraçado é que todo o currículo de grandes realizações de Paes foi como subprefeito, e secretário… de César Maia. Que raça! No telefone, Gabeira fala de uma vereadora: ‘ela é analfabeta política…está fazendo política suburbana’. Os jornalistas ouvem e dão a notícia.
Mais um bordão: ‘Gabeira é preconceituoso, Gabeira é preconceituoso, Gabeira é preconceituoso’. Milhares de faixas são impressas: ’sou suburbano com muito orgulho’. Uma feijoada é oferecida aos suburbanos ofendidos e Noca da Portela e outros menos votados dão apoio a Paes, o amigão do subúrbio.
Cria-se uma situação irreal. Gabeira, menino pobre, que vendia banana e ovo para ajudar o pai, professor voluntário na Zona Norte, vira o ‘candidato dos ricos’, enquanto Paes, menino da Zona Sul, estudante de colégios caros e da PUC, quer se consagrar como ‘o candidato dos pobres’.
Paes, 38 anos, cara de garotão é o velho matreiro, conhecedor dos meandros da política, o experiente. Gabeira, 68 anos é o jovem, impetuoso, novidadeiro, contemporâneo. E começam os debates. Até o último, da TV Globo na sexta-feira anterior ao domingo da votação, foram 7 deles.
Gabeira venceu sempre, na opinião dos internautas. Alguns momentos foram muito bons. Por exemplo, quando Paes afirmou que se preparava a vida inteira para ser prefeito do Rio, Gabeira respondeu: ‘pois eu me prepararei a vida inteira para… a vida inteira’.

Ou, então, quando Paes disse que seria necessário saber que ‘uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa’, recebeu como resposta: ‘a esta altura da vida eu já sei’.
Vladimir Palmeira pode nesta eleição ter batido o recorde mundial de ingratidão. Gabeira sequestrou o embaixador americano para que Vladimir, entre outros presos políticos, pudesse ser libertado. E Palmeira decidiu apoiar Eduardo Paes.
Por falar em embaixador sequestrado, a filha do próprio fez absoluta questão de declarar seu apoio a Gabeira. E contou que o pai dela tinha boas recordações dele. Na imprensa escrita, inaugurou-se um novo tipo de colunismo: o de crítica a horário eleitoral gratuito. Como se fosse novela.
O Globo e o Jornal do Brasil tiveram seus colunistas que diariamente comentavam sobre roupa, postura, edição. O colunista do JB, se sentindo obrigado a fazer uma gracinha por dia, algumas vezes se perdeu na busca do humor.
A certa altura, como o programa de Gabeira fazia enorme sucesso com seus clipes de cantores, Paes colocou no seu programa a entrevista de uma jovem na rua que afirmou: ‘eu quero ver propostas, não musiquinhas bonitas’. Nem na Noruega se vê tanta participação cidadã.
Uma jovem exigir dos candidatos a apresentarem suas propostas de governo é tão natural quanto as donas de casa que afirmavam que Paes no seu tempo de sub prefeito entrou na lama até a cintura para ajudar as pessoas assoladas por uma enchente.

Uma enorme demonstração de incompetência de seus auxiliares foi não encontrar uma única foto registrando o heróico feito. Hoje o eleitor decide quem é o prefeito do Rio de Janeiro. O resultado sairá dentro de algumas horas. Seja qual for o vencedor, Gabeira sai muito maior do que entrou.
É um político que pode se orgulhar do respeito de todos, inclusive de seus adversários, que jamais colocaram em dúvida sua honradez e honestidade. Outra vitória de sua candidatura foi a de trazer para milhões de pessoas a informação de que é possível se fazer politica com seriedade.
Trouxe também a participação dos jovens, entre os quais, as pesquisas eram unânimes em apontá-lo como o candidato preferido. Nesta eleição não se ouviu o tradicional discurso do ‘político é tudo igual’, principalmente por parte deles.
Gabeira demonstrou que os políticos, como as pessoas, são diferentes. Sua campanha termina com a marca da elegância, do bom humor e do amor pelo Rio de Janeiro.

O Rio foi votar sorrindo. Essa é a grande, a enorme vitória de Fernando Gabeira’.”

De volta á “cidade maravillhosa” onde desde que voltei, evito andar de ônibus e tento não ter medo da vida ¬¬

Até que tem adiantado. Mas não estou 100% feliz. Sei que a questão é psicológica, pq nunca me sinto 100% satisfeita. Mas isso é do ser humando tb, nunca estar feliz com o que tem. Péssimo.

Comecei esse período meu projeto conclusão, a matéria mais importante pra quando vc se forma em design… Não estou nem um pouco com medo (ao menos por enquanto) até agora me diverti bastante e acho que o resultado pode ser muito bom. É correr atrás e pagar pra ver, e é o que eu to fazendo…

Anyway. De resto a vida anda até que boa, fora o fato de que eu PRECISO voltar pra terapia mas tá uma confusão só pra isso acontecer =~

Agora vou pro jogo do fogão e quando eu tiver inspirada escrevo melhor, só queria era tirar a teia de aranha daqui mesmo.

=*

setenta e sete…  faltam 77 dias pra eu ir embora desse país. ficar de férias desse tipo de coisa q me faz querer vomitar (vide o senado) por mais 4 meses… era realmente tudo que eu precisava agora…

ainda mais com tão boas companhias como vão ser as minhas: irmã, namorado, um dos melhores amigos e amiga. =)

há mt tempo não falo de work aqui e não lembro sobre o q já escrevi, então lá vai. vou pra SLT \o/ onde até agora as infos q eu tenho são: lá tem mc donalds, não tem wall mart, tem 2 liquor stores, tem dominos, cassino e ski resort.  ah sim!!  e previamente eu já tenho moradia dessa vez.

é… acho q tá de bom tamanho :)

realmente contando os dias…

eu quero ir embora daqui.

quero ir emboraaa. esse país eh muito triste…

eh muita violência! e todas as notícias que nos rodeiam sao horriveis

esse pais eh cheio de filhos da puta que só pensam em si mesmo. politicos escrotos que roubam dinheiro de todos e acha mt malandro. lula achando q eh um absurdo q a imprensa retrata  a VERDADE sobre a violencia do rio de janeiro. obrassem licitação pq foram feitas “de emergência”, enjoo.

eu quero ir embora.

pegar minhas trouxas, meus pais, meus amores e sair desse país. quero poderver meus filhos crescendo um dia correndo na rua, andando de bicicleta e não atrás de grades. quero ver minha mãe morando numa casinha com cachorros ♥ quero tranquilidade. quero sair na rua sem medo… quero viver, na paz.

… será q é pedir demais?! =~

[chorando]

Eu sempre tenho pena do meu “pobre país”, fico pensando como um país tão lindo (se bobear o mais bonito do mundo) e com tanto, mas tanto potencial pode ser a merda que é.

E hoje, como um estalo, se jogou na minha frente o que eu sempre finjo não enxergar: O jeitinho brasileiro destrói a gente.

A conclusão mais merda e triste que já tive na vida.

A idéia retardada de que somos mais espertos ou melhores que alguém, furar fila (sendo velho, assim se alguém reclamar, o velho ainda se finge de ofendida “por ser idoso” – odeio velho que acha q velhice é justificativa pra abuso ou falta de educação), trazer seu filho deficiente ao banco pra tentar entrar na fila menor, etc.

E depois ainda reclamam dos políticos. Se tá cada um pensando no seu e no de mais ninguém… Gente! os políticos só estao fazendo igual a todos vcs, só que lá no alto!! ¬¬

Esse negócio de ficar passando a perna nos outros me dá vontade de socar tudo, enmtão preferi escrever em qq pedaço de papel que fosse pra desabafar.

Mas ainda me sinto pesada. Isso é deprimente. Eu quero é ir embora.

o brasil tem milhões de problemas, bilhões de defeitos, mas sempre que eu converso com alguém a minha teoria continua a mesma, e eu sempre a defendo: esse país é a joça que é, mas o nosso povo, o povo mesmo, eh o melhor do mundo.

pq só o brasileiro sempre arruma um jeitinho (e 90% das vezes, com um sorrisão no rosto), de se virar quando não tem grana. tá certo que tem muita gente que vira só pedinte… mas e o resto? e os vendedores de balas nos ônibus (já pensou que isso aum dia foi uma inovação?), e as moças que vendem quentinhas nos pontos estrategicos, e as pessoas que vendem café pros trabalhadores das madrugadas?

a criatividade do brasileiro não tem limite. e isso é uma das coisas que me dá orgulho e ter nascido aqui.

sábado tive mais exemplos dessa maravilha de “seviration” que sempre arrumamos:

estava andando com o xu indo pro botafogo praia shopping quando de repente ouço som de violino e quando vejo, três meninos de uns 12 anos tocavam violino, de maneira belíssima!! e o mais incrível, não estavam tocando só os clássicos, mas os ouvi fazer só com violinos, lindas versões de brasileirinho, asa branca e outras mais, encantando a muitos que paravam só pra ouvi-los.

à noite, na lapa, estávamos conversando exatamente sobre isso (eu, andré, xu e o gringo) quando de repente, aparece um senhor, seu miguel, e semi-bêbado, com somente uma tesoura na mão, diz que vai me fazer uma caixinha de jóias com uma latinha de água tônica. uma das coisas mais bonitas que já vi… ele tinha sua própria maneira de bebadamente se concentrar e fazer tudo com um acabamento finíssimo. foi emocionante.

conversamos com seu miguel e descobrimos que ele só estavaa na lapa naquele dia pq tinha mandado fazer um par novo de óculos pra ele e que ficaria muito caro ir e voltar pra sua casa, então ele ficaria por ali até pegar os óculos. disse que só vendia suas pequenas artes em latinha por alí, quando tinha que resolver algo no centro da cidade.

triste, mas esperto.

mas em nenhum momento isso incomodava seu miguel, o fato de não ter dinheiro nem para voltar pra o conforto de sua csa e esperar o final de semana pra depois pegar seu par de óculos novos.

a gente eh q não sabe o que tem.

temos tanto e reclamamos, choramingamos com probleminhas de merda. temos grandes exemplos nesse país, e ainda assim nos recusamos a olhar pros lados.

latinha que seu miguel fez pra mim.

sem mais.

… te mordia.

belezas que não enxergamos pq estamos ocupados demais com nossos próprios umbigos. ¬¬

arcos da lapa, vistaa do carlitos - 29.04.2007

arcos da lapa, vista do carlitos – 29.04.2007

carlitos, vista da rua – 29.04.2007